segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma mudança sistêmica

A Nova Revolução Tribal é um plano de fuga da prisão da nossa cultura. Os muros da nossa prisão são econômicos, isto é, a necessidade de ganhar a vida nos mantém dentro deles, pois não há como ganhar a vida do lado de fora. Não podemos empregar a solução maia — não podemos desaparecer num mundo de tribalismo étnico. Mas podemos desaparecer numa vida de tribalismo ocupacional.
Isso vai transformar a nossa civilização em ruínas fumegantes? Claro que não. Vai diminuí-la. À medida que um número cada vez maior de pessoas entender que pular o muro significa conseguir algo melhor (não “renunciar” a alguma coisa), um número cada vez maior de pessoas vai abandonar a cultura do prejuízo máximo — e quanto mais essa cultura for abandonada tanto melhor. O plano de fuga leva para além da civilização, para além daquilo que, segundo a nossa mitologia cultural, é a invenção suprema, a última invenção da humanidade.
O plano de fuga leva para a próxima invenção da humanidade.
Mesmo assim, será que essa próxima invenção vai dar-nos um modo de vida sustentável? Eis aqui uma forma de avaliar isso: os seres humanos que viviam em tribos eram tão estáveis ecologicamente quanto leões ou babuínos que viviam em bandos. A vida tribal não foi algo que os humanos se sentaram e ficaram imaginando. Foi o presente da seleção natural, um sucesso comprovado — não a perfeição, mas difícil de melhorar. A hierarquização, por outro lado, mostrou ser não somente imperfeita, mas catastrófica, em última instância, para a Terra e para nós. Quando o avião está caindo e alguém lhe oferece um pára-quedas, você não faz questão de ver sua garantia.

2 comentários:

Janos disse...

As palavras destacadas foram destacadas pelo autor, no texto original. Elas querem enfatizar que é exatamente isso que Quinn pensa:

1 - Se tivermos tribalismo, este será "ocupacional", isto é, é não é étnico nem ético, é somente algo que nos mantenha ocupados sem destruir o mundo...

2 - A civilização não vai deixar de existir, ela vai apenas "diminuir", ou seja, há crença no controle desse processo, que pode até ser benéfico.

3 - Novamente há a ênfase em que ninguém precisará renunciar a nenhum prazer, não haverá sacrifício, nós vamos mudar se pudermos ir para algo "melhor", isso é, que nós achemos melhor, que nos dê mais "poder", em certo sentido.

4 - O próximo post ele comenta melhor essa idéia de "próxima" aventura, como se o que vem depois é derivado, é um próximo estágio do que há agora... Comento no próximo post.

5 - A idéia de que a vida tribal foi presente da seleção natural, e a civilização não foi, porque nós "pensamos" para fazê-la é no mínimo ingênua.

6 - Por último, em outras palavras ele diz: não sei se isso vai ser sustentável, mas é a única saída que NÓS podemos implementar... Note bem.

Janos disse...

Talvez não fique muito claro porque eu cheguei à conclusão de que essas idéias estão bastante equivocadas.

Em primeiro lugar, a solução de Quinn é algo que NÓS podemos fazer, e certamente não ocorrerá naturalmente. Exige posicionamento. Mas ao mesmo tempo não resgata de verdade o "presente da seleção natural", apenas o "imita" em termos estruturais, pela crença de que essa estrutura funcionará agora, por ter funcionado antes.

Então o que ele diz é: estamos atolados aqui, mas vamos dar um passo à frente. Vamos ver o que vem depois, e aí, talvez, realizemos aquilo que queremos e que não realizado na civilização.

É, no fundo, tentar a mesma coisa com outra ferramenta. Só chama-se isso de tentar outra coisa porque ultrapassa um conjunto de coisas que tentamos fazer na civilização. Quer dizer que mesmo a civilização pode se tornar pequena para o desejo de poder humano, mas este ainda permanece sem crítica.