segunda-feira, 20 de julho de 2009

Faça desse jeito!

Mas essas palavras não serão ouvidas sem que um sabichão se lembre de perguntar: “Mas o senhor não está dizendo, sr. Quinn, que o modo tribal é o modo certo de as pessoas viverem?”
Não estou dizendo nada desse gênero. Como já afirmei, os presentes da seleção natural não são perfeitos (e muito menos “certos”), mas é muito difícil melhorá-los. O modo tribal não é o modo certo, mas apenas um modo que funcionou durante milhões de anos, ao contrário do modo hierárquico, que nos deixou cara a cara com a extinção depois de apenas dez mil anos.
Tanto quanto sei, o modo tribal pode, no futuro, ser suplantado por outro que funcione melhor para nós em circunstâncias que, obviamente, serão muito diferentes daquelas do passado. Na verdade, não é exatamente o que estou propondo nestas páginas? Afinal de contas, não estou sugerindo um retorno ao modo tribal tal como foi conhecido aqui durante os três primeiros milhões de anos da vida humana — nem como ainda é conhecido entre os povos aborígines que sobreviveram. O tribalismo étnico à moda antiga está, para o futuro que podemos prever, completamente fora de nosso alcance.
O tribalismo da Nova Revolução Tribal não é proposto como um fim, como algo certo e ao qual devemos nos apegar a todo o custo — é proposto como um início, num momento que temos de nos lançar num novo começo ou aceitar a idéia de juntar-nos aos dinossauros num futuro muito próximo.

1 comentários:

Janos disse...

Como eu disse no outro comentário, a nova estória que Quinn apresenta não nos dá algo de certo, não nos diz o que fazer, não dá orientação, nos diz apenas que não devemos todos fazer a mesma coisa. Ainda assim, ele diz que precisávamos ainda "ganhar a vida" e "ter esperança no futuro".

Estou tentando aqui colocar em perspectiva algo que eu mesmo afirmei milhares de vezes: o modo tribal era melhor, o modo civilizado nega a natureza humana.

Mas qual era a visão aqui? Escolher um modo de vida que simplesmente garanta nossa sobrevivência. Nada é dito sobre sentido existencial, na verdade isto é suprassumido na relação de mera sobrevivência.

O conceito de "certo" deve ser evitado, segundo Quinn. Ele tem o cuidado de não afetar aqueles que estão cansados de discursos que indicam clara distinção entre certo e errado, assumindo a posição muito mais popular do pragmatismo: o que quer que funcione deve ser melhor.

E, afinal, o que é tirado do passado não é realmente a tradição, como Quinn deixa claro ao dizer que não está propondo uma vida "à moda antiga". Ele nem sequer está apontando um fim, e o único risco é deixar de existir.

Defender a tradição e uma esperança escatológica, voltada a um fim que é "certo", seria inaceitável para Quinn, e para a maioria dos seus leitores. Assim é que se apela ao medo de deixar de existir, mas não ao horror de perpetuar uma existência cada vez mais destituída de sentido teleológico, isto é, de orientação, de noção do "para onde estamos indo", sem a qual a tríade das questões fundamentais (quem somos, de onde viemos e para onde vamos) fica incompleta.